top of page

PRIMEIRA VISÃO - CAPITULO 1

  • Foto do escritor: Ana Baronesa
    Ana Baronesa
  • 23 de abr. de 2021
  • 6 min de leitura

- SAGRADAS MEMORIAS DE OUTRAS VIDAS - SANTA CATARINA

sea waves GIF

O vento estava forte naquele dia, e o sol brilhava sozinho no ceu azul,

sem nenhuma nuvem de moldura, mas era como se não estivesse lá.

O sopro gelado do vento, parecia uma navalha no meu nrosto. Minha

mãe havia me pedido que fosse tirar um pouco de leite pois as

crianças estavam com fome e tínhamos pouco trigo guardado. - "Leite

de vaca sustenta bezerro" - dizia ela. A vida em Domrémy era

tranquila e muito feliz, estávamos longe de onde ocorriam os conflitos ,

a França estava em guerra. Uma guerra civil que para mim era algo

distante, talvez eu seja acostumada com ela, afinal essa guerra

começou bem antes de eu nascer. Ate entao, pra mim o inverno no

interior da França por volta de 1425, era a parte mais difícil.

E a nossa única vaca estava no pasto e era lá no alto do morro. Um

morro gelado sem nenhuma arvore que servisse de barreira pra me

proeger do vento. Só havia ali um mato queimado da geada, que não

segurava nada, nem ele mesmo! - ri reparando que alguns arbustos

ate deitavam com a forca do vento.

- Vá com as botas do seu pai e não esqueça de se agasalhar bem.

Pegue aquela capa de lã com capuz! - ordenou mamãe. - Mas

mamãe, como vou subir todo aquele morro com os sapatos enormes

do papai? - Andando oras! Vamos economizar na sujeira! Está muito

frio e o rio está gelado. Além disso, nada seca nesse tempo! - disse

ela já matando qualquer argumento meu.

Como posso reclamar se possivelmente eu fosse ser a lavadeira? Era

melhor mesmo sair de espantalho e pé de pato.

- Tô indo. - levantei de botas amarradas e vesti o capuz.

- Leve a leiteira grande e o almoço do seu pai! Ele deve estar com

fome! - ordenou ela novamente.

E saí em busca do leite cantarolando uma música que estava me

infernizando a cabeça, tocando repetidamente dentro de mim desde

que eu saí da cama naquela manhã:


"LÁ EM CIMA DAQUELE MORRO, TEM UM VELHO GAIOLEIRO,

QUANDO VÊ MOÇA BONITA, FAZ GAIOLA SEM POLEIRO"


Conforme eu subia o bendito morro, o vento gelava mais e mais.

- Meu Deus! Assim eu não aguento! Vou congelaaaaaar!! - reclamei

com Deus alto tremendo de frio.

Estava batendo os dentes. - Ave Maria! Acelerei o passo pois para

chegar no pasto era uma boa caminhada.

Não havia nenhum pássaro voando, nenhum pio. Só se ouvia o uivo

do vento frio. - Que silêncio! Bichos espertos foram pela mata! - e

percebi que se eu fosse pelas margens da pastagem, pela borda da

mata, as árvores me protegeriam um pouco do gelo. E resolvi sair à

francesa do meu plano: pela margem direita!

Parei pra fazer um intervalo perto dos pinheiros, onde tinha um tronco

caído que daria um ótimo banco. Sentei, larguei a trouxa com a

comida do meu pai no chão ao lado da leiteira, bem ao pé do tronco

sofá. Eu precisava respirar sem aquele capuz.

Quando me sentei, a posição que escolhi era um ponto cego: o raio de

sol que passava entre a copa das árvores estava num ângulo me

deixava cega. Conforme ventava meu mundo ficava branco e em

seguida colorido. Me senti brincando de "cadê o nenê" de um jeito

esquisito. Eu era o nenê..

Quando olhei mais pra dentro da mata, meu mundo branco me trouxe

um anjo. Havia uma mulher me olhando. Uma guerreira. E como

brilhava! Meus olhos ardiam!

- Joana! - disse ela. - Não tenha medo! - completou lendo os meus

pensamentos.

- Olá senhora! Não consigo vê la muito bem de onde estou! A senhora

é um soldado? - perguntei sem avaliar o risco da pergunta a uma

mulher desconhecida de armadura e espada no meio do mato. Era

muita informação para uma menina de 13 anos como eu. Nunca havia

visto mulher soldado antes.

- Giovana filha de Jacques e Isabelle, você acredita em Deus? -

perguntou ela brilhando no sol.


- Sim senhora! Na minha família somos todos católicos e tementes a

Deus nosso senhor! - respondi como mamãe ensinou.

- Meu nome é Catarina. Estava esperando você chegar pois tenho

uma mensagem de Deus para você.

Eu jamais consegui explicar claramente o que senti naquele momento.

Mas eu tinha dentro de mim uma certeza absoluta de que ela dizia a

verdade.


- Mensagem de Deus? Eu não vou morrer agora vou? Só tenho 13

anos e sou a única menina. Mamãe precisa de mim. - eu não queria

morrer!

- Você confia em Deus, minha filha? - perguntou ela com uma voz

suave.

- Sim! Confio! - disse com segurança. - Ajoelhe-se! Preciso lhe

devolver uma coisa que lhe pertenceu em outra vida.

E eu me ajoelhei ali mesmo onde estava e abaixei a cabeça como se

fosse ser benzida por sua santa espada. - Vou virar Milady? - lembrei

de um dia que vi um homem virar Lord na praça de Domrémy

- Apenas feche seus olhos. Você saberá do que se trata.

Obedeci. Fechei os olhos, respirei fundo e senti a ponta da espada

dela tocando levemente minha cabeça e em seguida meu ombro

esquerdo e o direito e tudo ficou branco.E assim ficou por alguns

segundos, até que o branco foi se tornando transparente e eu

consegui ver mundo novamente. Eu não estava mais na mata que

beirava o pasto onde papai havia levado o gado aquele dia. Eu estava

numa espécie de tenda branca muito grande junto com outras

pessoas, homens e mulheres vestidos de branco. Vestiam uma roupa

estranha grudada ao corpo, era um traje elegante, mas ao mesmo

tempo esquisito. - hoje posso dizer que era futurista mas naquele dia

achei muito estranho.

De repente percebi que eu também estava de uniforme. - Atenção

todos os guardiões de quarto grau - disse um homem que parecia o

líder do grupo. Eu tinha a sensação que conhecia aquele homem. Eu

conhecia todas aquelas pessoas. E elas me conheciam também.

No mesmo instante que ele disse "quarto grau" minha veste se

acendeu muito forte e voltou ao normal em seguida, porém ao voltar

do flash, eu vestia uma espécie de armadura toda branca, coberta de

escamas brancas que pareciam feitas de madrepérola. Tinham aquele

birlho cintilante furta cor que conforme eu me mechia, aparecia em

cada uma delas um pequeno arco-íris interno, um pouco transparente


como os que vemos numa de bolha de sabão e depois voltava a ser

branco ofuscante.

Apenas alguns dos presentes tiveram a roupa iluminada como a

minha. Olhei em volta e percebi que entre os iluminados haviam

apenas 4 mulheres, incluindo eu na conta. 

Eu conseguia ver bem duas delas de onde estava, eram tão

parecidas, nossa! Pensei admirada. De repente a mulher que eu não

conseguia ver o rosto porque estava na minha frente e de costas pra

mim, se virou, me olhou nos olhos e sorriu - era a mesma mulher que

me levará lá, a que ia me devolver algo, a que eu achei que queria me

fazer uma milady 

Então as 3 se voltaram para mim e caminharam lentamente em minha

direção 

Quando chegaram onde eu estava, elas deram as mãos e tomamos

as 4 um círculo de mãos dadas. Então as 3 começaram a girar nossa

roda, e a que eu já conhecia da floresta, começou a entoar uma

espécie de cântico, enquanto girávamos eu fiquei muito tonta, tão

tonta que tive a sensação que nós 4 éramos apenas uma pessoa.

Todas elas estavam em mim! Assustada fechei os olhos e só voltei s

abri-los quando  a roda parou. 

- por Deus! Ou eu dormi e sonhei ou estou ficando louca - e se dormi

aqui nesse frio enquanto ia levar o almoço do papai, e tirar o leite e

estou ficando  doida! - pensei.

- O almoço!!! - lembrei de repente que o foco principal era levar a

comida do pai, mas quando procurei a marmita que havia deixado ali

do lado, mais uma coisa estranha aconteceu - um gato preto estava

ali, já dono da comida, e tinha comido quase a metade do que estava

no pote.

- EI ! Mas que gato malandro você é hein? Percebeu que eu estava

distraída e mandou ver na comida do pai! E agora? Ele vai ficar sem

comida, e eu vou ter que dizer que dormi na floresta sentada o que

seria estranho, então vou ter que dizer que te dei a comida né? 

Você é gato de bruxa! Tá lá na lista negra dos bichos demoníacos do

bispo! Você tem uma bruxa pra te proteger? Uma sibila por aí

escondida pra chamar de sua?  Se estiver sozinho, você pode vir

comigo- a gente não ouve essas besteiras lá em casa - e também não

concordamos - você seria muito bem vindo e ganharia uma caminha

do lado da minha! Bóra? - falei com o gato

- Miaaaaau - ele respondeu olhando dentro dos meus olhos - e me

seguiu enquanto eu continuava a subida do morro gelado - pra levar

um almoço almoçado. 


- Tô lascada! - falei

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


Apresentação Mídia Kit Modelo Moderno Laranja e Vinho.jpg

© 2023 by LORY.DARX

bottom of page